quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Pennywise, Face To Face e Garage Fuzz em Santos/SP




1995, o ano que nunca terminou. Ao menos em Santos. Este era o espírito da matinê de domingo, chamada Santos Hardcore Festival e organizada pela Rock Show e parceiros locais, que reuniu trintões e quarentões - e alguns moleques da casa dos 20 - para reviverem a gloria hardcore punk da outrora intitulada California brasileira.

Em meados dos anos 1990, o hardcore melódico era a pauta principal da juventude santista. Todo mundo tinha banda, sua camiseta do NOFX ou Bad Religion e comprava cds da Fat e Epitaph na Sound Of Fish. Por algumas horas, parecia que o cenário ainda era esse. Bom, fazem 20 anos, mas algumas coisas não mudaram, como por exemplo o fato do Garage Fuzz ser a melhor banda de hardcore do Brasil.

Os local heroes abriram a noite lançando seu disco "Fast Relief", mesclando algumas de suas fan favourites - como "Observant", "Embedded Needs" e "Shore Of Hope", com faixas novas, como a canção título do álbum e a agressiva "Pay Your Dues". Agressividade aliás foi o tom da bateria de Daniel Siqueira nesta tarde, tocada com a vitalidade e técnica que nenhum dos dois bateristas seguintes chegaram perto.

Durante seu show, o vocalista Farofa ainda comentou sobre a importância daquele show na cidade de Santos, e da satisfação de tocar com grupos contemporâneos a eles, já que em 1995, enquanto lançavam seu álbum "Relax In Your Favourite Chair", também ouviam o "Don't Turn Away" do F2F e o disco azul do Pennywise. Tudo em casa.

O grupo seguinte a entrar no palco foi o Face To Face e seu punk rock californiano. Pela segunda vez na cidade, o público os recebeu como velhos conhecidos - que são, na verdade - e cantaram juntos os clássicos do quarteto como "Blind", "A-OK", e claro o seu maior hit, "Disconnected", cantado em altos brados por todos os presentes. Coro ainda baixo se comparado ao que estava por vir.

A casa cheia, mas não lotada, se aproximou mais do palco para os headliners da noite. Comemorando 27 anos de carreira, e com 20 de atraso, o Pennywise chegou a Santos para uma hora e pouco de show catártico.

Abrindo com "Fight Til Die", o grupo seguiu o setlist padrão de sua atual turnê, com destaque para o cover de "Do What You Want" do Bad Religion, "Stand By Me" - cantada quase a capella, e as referências que o conjunto fez ao recém falecido Brandon, baterista do Teenage Bottlerocket, inclusive dedicando "My Own Way" e "Bro Hymn" a ele.
"Bro Hymn" aliás merece um parágrafo a parte. Nos supracitados anos 1990, nove em cada dez bandas de hardcore punk de Santos tocavam cover dessa música (a que sobra na conta tocava ou "Linoleum" do NOFX ou "Bullion" do Millencolin), e ver o Pennywise finalmente tocando esta música pra este público, que berrava o sing along mais alto do que a banda tocava, teve sim um sabor de missão cumprida, de que tudo estava enfim em seu lugar.

E realmente estava. Hoje, segunda-feira, a maioria voltou pra seus afazeres, suas profissões e cargos, mas ontem éramos de novo uma massa de moleques punk, skaters, surfers, mandando - literalmente - um foda-se à sociedade. De vez em quando é bom. 

Aliás, é ótimo. Fuck authority, e um viva a cada moleque que em 1995 colou cartaz em poste com cola de farinha, fez banda, fanzine, gravou fita, andou de skate, surfou e caminhou contra a maré. Estamos ai.

Enviado por Wladimyr Cruz

Fonte: ZP 

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